Hernán Mandelman – Reflexiones en Verano
O baterista e compositor Hernán Mandelman se preparou muito bem para as gravações de “Reflexiones en verano”. Depois de lançar “Amistad” (BlueArt, 2008, em formato de quarteto) e “Detrás de esa puerta” (Sofá Records, 2011, em formato de quinteto), Mandelman para o novo Cd contou com as participações de Sebastián de Urquiza (contrabaixo), Francisco Lo Vuolo (piano), Juan Cruz de Urquiza (trompete), Natalio Sued (sax-tenor) e Rodrigo Domínguez (sax-alto). Ou seja, um sexteto. As sete composições que integram o disco são de autoria de Mandelman que, com o correr dos anos, vem demonstrando um importante crescimento autoral e interpretativo, assim como também se consolidou como arranjador e líder de banda.
“Reflexiones en verano”, gravado integralmente no dia 4 de março de 2014, aprofunda o caminho apresentado em “Detrás de esa puerta”. Tem algumas diferenças: neste seu trabalho, Mandelman compôs a totalidade das músicas do álbum, acrescentou o trompete de Juan Cruz de Urquiza e substituiu Paula Shocron ao piano por Lo Vuolo y Ezequiel Dutil no contrabajo por Sebastián de Urquiza. Dentro de um nível altíssimo nas interpretações, há notáveis momentos em “Blues Aires” e “En vena”. Depois de ouví-lo por inteiro, para mim fica claro que Mandelman optou por um som grupal e balanceado em detrimento de algum brilho pessoal.
Ernesto Jodos – Actividades Constructivas
O pianista e compositor Ernesto Jodos, uma das maiores e inevitáveis referencias quando se fala do movimento jazzístico argentino, nos apresenta um disco-solo “Actividades constructivas”, que foi grabado numa só jornada, esta ocorrida no dia 9 de agosto de 2014. Para este seu segundo álbum de solo piano registrado para o selo rosarino ‘Blue Art’ (o anterior foi “Solo”, uma década atrás), Jodos decidiu interpretar material proprio original onde, é claro, não está ausente a improvisação.
As onze peças que compões esse álbum resultam num excepcional mostruário das virtudes de Jodos, e elas estão entrelaçadas de uma maneira tão homogênea que se podería pensar de ‘Actividades constructivas’ como uma obra integral de aproximadamente 48 minutos, dividida em 11 movimentos. Depois de várias audições poderiam ser citadas muitas influências ou referências (e não só provenientes do jazz); mas Jodos lhes dá um marco e uma construção tão pessoal que permite ratificar uma vez mais que, desde o surgimento de seu “Sexteto” em 2000 e especialmente quando nos apresentou o trio “Cambio de Celda” um ano depois, o pianista Jodos é uma voz distinta, pessoal e insubstituível dentro do panorama musical argentino no presente milênio.
